01: Si quieres, dejamos para tu regreso de vacaciones la página de Historia abreviada, ya que no sé todavía cómo enfocarla. Hay cientos de posibilidades. De momento, te mando una maleta. La he elegido como mi rosebud en la charla que me toca dar el 24 de octubre de este 2009 en París, dentro de una muestra dedicada a los rosebud de algunos escritores europeos. Elegí una maleta -los organizadores me han buscado la de la imagen- para asociarla en el escenario con una idea de movimiento, la idea portátil que desde 1985 mueve mi obra. Te sugiero que inicies la página de la Historia abreviada con la imagen de esa valise que haré pasar por mía.
SEMINÁRIOS 2014 LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA: AUTORES QUE ESCREVEM O SÉCULO
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terça-feira, 21 de maio de 2013
VERSÃO DISSIDENTE de 'HISTORIA ABREVIADA DA LITERATURA PORTÁTIL'
Enrique Vila-Matas continuou o projeto da "História abreviada da literatura portátil" em seu blog.
Uma resenha de "História abreviada da literatura portátil"
Resenha de 'História abreviada da literatura portátil', de Vila-Matas para o jornal O Globo
História abreviada da literatura portátil, de Enrique Vila-Matas. Tradução de Julio Pimentel Pinto. Editora Cosac Naify, 144 páginas
Paulo Roberto Pires
"História abreviada da literatura portátil” tem título de ensaio, escrita de ensaio, raciocínio de ensaio. Se fosse mais uma “ficção que se quer ensaio”, talhada nos jogos de paródia do que num dia distante se chamou pós-moderno, certamente já teria se desmanchado no ar. Se permanece 26 anos depois de lançado é porque concentra toda a originalidade de Enrique Vila-Matas. A partir deste que foi o sexto livro de sua carreira, o autor, obsessivo, começou a mostrar que sua insistência (nos mesmos temas, em estratégias de narrativa) resultaria, como nos grandes escritores, em consistência. Tudo o que viria está ali, nada do que está ali é gratuito.
O narrador em terceira pessoa é monocórdio e distante, como sói acontecer em “histórias da literatura” e outros livros canônicos. De vez em quando revela-se na primeira pessoa, sobretudo no brilhante capítulo final. Não há propriamente personagens nem exatamente uma trama. Descreve-se como Walter Benjamin, Marcel Duchamp, Francis Picabia, Blaise Cendrars, Georgia O’Keefe, Edgard Varèse e outros artistas teriam formado em 1924 uma sociedade secreta de 27 membros que dissolveu-se em 1927. Os números são ritualizados como a própria vida dos shandy, assim batizados em homenagem ao Tristram Shandy de Lawrence Sterne — e também com alusões a uma “cerveja amarga misturada com limonada ou cerveja de gengibre” e, ainda, um suposto dialeto de Yorkshire, shandy como sinônimo de “indistintamente alegre, volúvel e louco”.
As principais matrizes desta sociedade secreta são Duchamp e Benjamin, “vagabundos, viajantes errantes, exilados do mundo da arte e, ao mesmo tempo, colecionadores carregados de coisas, ou melhor, de paixões”. Shandy que é shandy, explica o narrador, deve ser “portátil”, ou seja, deve poder carregar consigo toda a sua obra, assim como o artista francês fez na Boîte-en-valise, maleta em que reunia miniaturas de todas as pinturas e ready-mades que havia realizado até a década de 1930-40. Ao atravessar os Pirineus a pé, na rota de fuga do nazismo que terminou em suicídio, em 1940, Benjamin agarrava-se desesperadamente à sua mala: nela estaria um manuscrito “mais importante que a vida” e do qual, depois de sua morte, jamais se teve notícia.
As principais matrizes desta sociedade secreta são Duchamp e Benjamin, “vagabundos, viajantes errantes, exilados do mundo da arte e, ao mesmo tempo, colecionadores carregados de coisas, ou melhor, de paixões”. Shandy que é shandy, explica o narrador, deve ser “portátil”, ou seja, deve poder carregar consigo toda a sua obra, assim como o artista francês fez na Boîte-en-valise, maleta em que reunia miniaturas de todas as pinturas e ready-mades que havia realizado até a década de 1930-40. Ao atravessar os Pirineus a pé, na rota de fuga do nazismo que terminou em suicídio, em 1940, Benjamin agarrava-se desesperadamente à sua mala: nela estaria um manuscrito “mais importante que a vida” e do qual, depois de sua morte, jamais se teve notícia.
Aqui cabe um parêntese: ao cultuar as miniaturas, portáteis por definição, os shandy ocultam, diz o narrador. Ao ocultar, ocultam-se até o desaparecimento, como o personagem-título de “Doutor Pasavento” (2005), o que ecoa mais uma definição de shandy, acróstico perfeito em espanhol: Si Hablas Alto Nunca Digas Yo.
Também do universo de Marcel Duchamp vem o conceito das máquinas celibatárias (ou solteiras): o shandy é solteiro no sentido amplo, radicalmente individualista e sem amarras de qualquer tipo, errando pelo mundo em constante exílio, como o Walter Benjamin em eterna crise conjugal, entre Moscou, Ibiza, Berlim, Marselha e Paris ao sabor de amores impossíveis e fracassados. São ainda marcas dos shandy, segundo seu principal historiador, “espírito inovador, extrema sexualidade, ausência de grandes propósitos, nomadismo incansável, tensa convivência com a figura do duplo, simpatia pela negritude, cultivo da arte da insolência”.
A conspiração shandy cria uma geografia idiossincrática fundamental para seu desenvolvimento. As reuniões acontecem entre Zurique, Trieste, Praga, Viena, Paris, Córsega, Sevilha e Bretanha depois de sua fundação em Port Atif, este último um “povoado africano situado na desembocadura do rio Níger” cujo nome deriva de portatif, “portátil” em francês. É inútil buscar nos mapas o lugar shandy por excelência, bem como caçar na Wikipedia detalhes da vida de, por exemplo, Rita Malú, ilustre shandy. Aqui e em todos os livros seguintes, o autor dissolve com cuidado qualquer fronteira entre as narrativas históricas e fabuladas, entre a autobiografia e a impostura. E o faz menos pela óbvia conclusão de que “tudo é ficção” do que para criar uma dúvida que se instala permanentemente entre ele e seus leitores.
Em entrevista a seu tradutor francês, André Gabastou, Vila-Matas diverte-se contando que, logo depois da publicação da “História abreviada”, um intelectual encomendou a uma livraria de Barcelona toda a bibliografia citada por ele — e formada, claro, por títulos reais e inventados. A mesma onda se espraia por toda a sua obra: a Marguerite Duras atribui-se uma frase que foi a ela atribuída por Vila-Matas; é corrente ainda uma citação dos diários de Kafka “reescrita” e deformada por Vila-Matas. “Pode parecer paradoxal, mas sempre busquei minha originalidade de escritor na assimilação de outras vozes”, disse o autor de “Dublinesca” (2010, a ser lançado em maio no Brasil pela Cosac Naify) numa conferência proferida no México, em 2008. “As ideias e as frases assumem um outro sentido quando elas são comentadas, ligeiramente retocadas, reinseridas em um contexto insólito”.
Num dado momento, por exemplo, o narrador cita “O surrealismo: o último instantâneo da inteligência europeia”, um dos mais notáveis ensaios de Walter Benjamin, de 1929. As aspas que usa, é claro, não estão no texto de Benjamin, mas o texto de Benjamin é pilhado o tempo todo por Vila-Matas: dali saem personagens, situações, raciocínios, clima e até o estilo: “há sempre um instante em tais movimentos em que a tensão original da sociedade secreta precisa explodir numa luta material e profana pelo poder pela hegemonia, ou fragmentar-se e transformar-se enquanto manifestação pública”. A citação, em tempo, é mesmo de Benjamin (em tradução de Sergio Paulo Rouanet) mas caberia perfeitamente na retórica do seriíssimo narrador de Vila-Matas.
A “História abreviada da literatura portátil”, que se desdobra num blog criado pelo autor, poderia, como se vê, ser um ensaio e, seus personagens, as referências bibliográficas. Mas Vila-Matas, qual um sofredor do “Mal de Montano” (2002), aquele que impede a distinção entre vida e literatura, faz da argumentação uma trama e das notas de pé de página, pessoas. Por isso, não é difícil que o censurem por uma literatura extremamente cerebral. Mas há a hipótese, esta mais estimulante, de que o movimento é precisamente o contrário da racionalização: em sua obra, as ideias é que ganham carne e sangue. O que, no final das contas, ainda seria impreciso, pois no centro deste universo literário está a impossibilidade radical de estabelecer hierarquias entre real e imaginado ou distinguir com segurança o vivido do escrito — um ideal romântico que ganha assustadora materialidade na obra do escritor catalão.
PAULO ROBERTO PIRES é professor da Escola de Comunicação da UFRJ e editor da revista “serrote”
Num dado momento, por exemplo, o narrador cita “O surrealismo: o último instantâneo da inteligência europeia”, um dos mais notáveis ensaios de Walter Benjamin, de 1929. As aspas que usa, é claro, não estão no texto de Benjamin, mas o texto de Benjamin é pilhado o tempo todo por Vila-Matas: dali saem personagens, situações, raciocínios, clima e até o estilo: “há sempre um instante em tais movimentos em que a tensão original da sociedade secreta precisa explodir numa luta material e profana pelo poder pela hegemonia, ou fragmentar-se e transformar-se enquanto manifestação pública”. A citação, em tempo, é mesmo de Benjamin (em tradução de Sergio Paulo Rouanet) mas caberia perfeitamente na retórica do seriíssimo narrador de Vila-Matas.
A “História abreviada da literatura portátil”, que se desdobra num blog criado pelo autor, poderia, como se vê, ser um ensaio e, seus personagens, as referências bibliográficas. Mas Vila-Matas, qual um sofredor do “Mal de Montano” (2002), aquele que impede a distinção entre vida e literatura, faz da argumentação uma trama e das notas de pé de página, pessoas. Por isso, não é difícil que o censurem por uma literatura extremamente cerebral. Mas há a hipótese, esta mais estimulante, de que o movimento é precisamente o contrário da racionalização: em sua obra, as ideias é que ganham carne e sangue. O que, no final das contas, ainda seria impreciso, pois no centro deste universo literário está a impossibilidade radical de estabelecer hierarquias entre real e imaginado ou distinguir com segurança o vivido do escrito — um ideal romântico que ganha assustadora materialidade na obra do escritor catalão.
PAULO ROBERTO PIRES é professor da Escola de Comunicação da UFRJ e editor da revista “serrote”
En el país de Tristram, Enrique Vila-Matas
Iba por Champs Elysées hace unos días y la felicidad, más que salir a mi encuentro, iba conmigo. Tanta euforia se debía a que llevaba en mi bolsillo una nueva traducción al francés del Tristram Shandy de Laurence Sterne. Y ese libro tiene para mí duende. Independientemente de que sea una novela genial, ese libro me ha dado siempre una fuerza espiritual extraña. Era por eso que, a pesar de que era un día de tormenta, iba yo por Champs Elysées con un sentimiento de alarmante felicidad. Me volví de pronto cauto cuando recordé que con la felicidad es mejor no confiarse y que lo más sabio es dejar que sea efímera, no querer abrazarla tanto.
De modo que reduje yo mismo la intensidad de mi alegría y recordé muy oportunamente que en otro día de tormenta y de invierno, en pleno Champs Elysées y justo por donde en aquel momento yo pasaba, en el umbral del Teatro Marigny, el escritor Ödön von Hormath había muerto instantáneamente al ser golpeado por la rama pesada de un árbol. Sin duda era un bello destino shandy morir en pleno Champs Elysées fulminado por un árbol. Pero tal vez aún no había llegado mi hora. Pasé a evocar aquellos paseos que hacía el joven Ernst Jünger cuando, entre combate y combate en Bapaum, se dedicaba en pleno frente, con alegría shandy, a leer el Tristram, que para él era una fuente de diversión y de energía en medio del desastre bélico.
No fue la rama de un árbol, pero sí un disparo el que fulminó al joven Jünger, aunque en su caso no hubo gravedad ni muerte y despertó en un hospital militar donde pudo retomar la lectura del Tristram, porque el libro se había quedado en el bolsillo de su abrigo. Fue para él, y así lo ha contado, como si todo lo acaecido en el intermedio (el combate, la bala, la herida, el hospital, el despertar a la realidad) "sólo fuera un sueño o perteneciera al contenido mismo del libro, como si se hubiese insertado un tipo particular de fuerza espiritual".
El duende del shandysmo. En lengua castellana sigue estando perfectamente disponible la poderosa traducción de Javier Marías. En Cataluña se acaba de reeditar la versión de Joaquín Mallafré, nada pasada de moda, a pesar de que ya tiene unos años, pues precisamente los arcaísmos del traductor, lejos de pervertir el original, subrayan la densidad del texto. Y ahora en Francia, la reaparición del Tristram Shandy está siendo un acontecimiento, que yo celebré en esa tarde de invierno, convencido de que, con el libro en el bolsillo y tomando las precauciones debidas ante la felicidad, yo era un lector invencible, por mucho que hubiera tormenta y me encontrara, además, junto al Marigny y el árbol asesino.
Entre lo mejor del Tristram Shandy se encuentra algo en lo que algunos críticos franceses reparan en estos días como si se tratara de un descubrimiento. En un momento en que tanto se habla de narraciones ensambladas con el ensayo y esas combinaciones y novelas híbridas se presentan a veces como novedad absoluta, se ve ahora que el libro de Sterne fue seguramente la primera novela-ensayo de la historia. Así que la cosa viene de lejos. Como también de lejos viene mi shandysmo. En Barcelona, pertenezco a la Sociedad de Amigos de Laurence Sterne. Nos reunimos una vez al año, el 24 de noviembre, y celebramos el aniversario del nacimiento de ese gran escritor, oriundo de Clonmel (Irlanda). Si los seguidores de James Joyce son unos fanáticos que desayunan cada 16 de junio té, tostadas y riñón de cerdo, los amigos de Sterne no les vamos a la zaga y nos reunimos a cenar cada 24 de noviembre en un restaurante de las afueras de Barcelona, que se llama precisamente Clonmel y que regenta un oriundo de esa población irlandesa, un tipo que curiosamente nunca ha sido admirador de Sterne.
Me río a solas todos los años en el Clonmel cuando recuerdo las furibundas envestidas del Tristram a las novelas solemnes de sus contemporáneos, su asombrosamente levísimo contenido narrativo (el narrador-protagonista no nace hasta muy avanzada la novela; antes está siendo concebido, lo que hace que podamos leer Tristram Shandy como la gestación de una novela), sus constantes y gloriosas digresiones y los comentarios eruditos que puntúan todo el texto. Y, por encima de todo, su gran exhibición de ironía cervantina, sus asombrosas complicidades con el lector, la utilización del flujo de conciencia que otros luego dirían que habían ellos inventado. Y por inventar que no quede: En Sterne encontramos una fabulosa capacidad freudiana para la asociación de ideas.
Es un libro extraordinario en el que su protagonista no quiere nacer porque no quiere morir, al igual que no quería morir yo aquel día en Champs Elysées, aunque llevara mi Tristram en el bolsillo, el mejor pasaporte para la eternidad. Paso revista a mi vida y veo que el cometa Shandy, desde que apareció en ella, me la ha alegrado siempre, porque tiene duende. Me fascina esta novela tramada con un tenue hilo de narración y unos monólogos donde los recuerdos reales —como en la mejor de las hoy tan en boga autoficciones— ocupan muchas veces el lugar de los sucesos imaginados. Donde, como decía Alfonso Reyes, la risa está siempre a punto de estallar y de pronto se resuelve en lágrimas. Donde uno descubre de golpe, al borde del llanto alegre, que la vida puede ser triste. Claro que sí. La vida es shandy.
Fonte: Letras Libres
Os Shandys e a Literatura Portátil
Una muerte breve
Jesús Dulce Hernández
Aquel que afirme que en algún momento de su vida no ha querido desaparecer, es un completo mentiroso.
La muerte siempre será un asunto de interminables debates entre quienes la admiran y quienes le temen.
Sin embargo, no cabe duda de que es ella el único bálsamo que ha dejado Dios en la humanidad para remediar todos nuestros males.
Hay diferentes maneras de morir: enfermedad, asesinato, accidente, suicidio. O bien pueden ser todas juntas: una persona que ante su enfermedad debe padecer el dolor que le produce el asesinato de un ser querido y de pronto, por accidente, se suicida.
Sobre la última de esas maneras de morir, particularmente, tiene también que ver el libro al que se dedica este artículo: 'Historia abreviada de la literatura portátil' de Enrique Vila-Matas, publicado por editorial Anagrama.
Es Vila-Matas un escritor español contemporáneo, a mi parecer, de los mejores; contemporánea es también su manera de escribir y describir. En 'Historia abreviada de la literatura portátil', Vila-Matas adentra al lector en los principios del siglo XX, especialmente entre 1924 y 1927.
Con una prosa críptica, que pone a prueba la capacidad del lector para darle significado a un sinnúmero de acontecimientos, el texto va tamizando la arena de la Sociedad Secreta de los Portátiles, también llamados 'Shandys'.
El Shandysmo, de acuerdo con la historia del escritor barcelonés, fue un movimiento de intelectuales europeos que se caracterizaban, entre otras cosas, por su espíritu viajero, su amor por las cosas pequeñas, su soltería, su aceptación por los negros (también lo negro) y la permanente connivencia con seres espectrales (otros materiales) que entre ellos denominaban Odradeks. De este selecto grupo, hicieron parte personajes como Salvador Dalí, Scott Fitzgerald, García Lorca y Walter Benjamín, "héroes de esa batalla perdida que es la vida, amantes de la escritura cuando ésta se convierte en la experiencia más divertida y también la más radical".
Un requisito indispensable para los Shandys era que sus obras fueran de un tamaño en lo posible diminuto, que pudiera llevarse de un lado a otro sin ningún inconveniente. De hecho, toda obra (fuese de literatura, pintura o música) que por su tamaño resultara intransportable, era además, por conclusión, insoportable.
Con premisas como esta nace la Sociedad Secreta de los Portátiles, gente en busca de aventura y consuelo por la vida, que no vacilaba en hacer sus reuniones secretas, a veces plenas de opio, en lugares como Port Actif (África), Praga, Viena o París.
El que carga cosas, carga pasiones y los shandys fueron ese tipo de seres apasionados, llenos de pequeñas cosas y de vivencias intensas, que en algunos de ellos incluso causaron la muerte. Encontraron diversas formas de morir, no necesariamente físicas.
Pese a que algunos de sus miembros se suicidaron, el shandysmo manifestó su desacuerdo con esa manera de acabar con la vida. Algunos pensaban que la única manera de mostrar el desdén por la vida era aceptándola y que la vida misma no merecía que nos tomáramos el trabajo de abandonarla tan cómodamente.
Los shandys encontraron en las artes una mejor manera de morir sin morir. Vila-Matas cuenta, por ejemplo, cómo Paul Morand refiriéndose a un poema que había escrito el príncipe David Mdivani, afirma: "me ha descubierto la posibilidad de realizar el suicidio en el espacio mismo de la escritura". Y es que a veces se confunde las ganas de morir con las de 'no ser', cosas diferentes.
Al escribir una historia, una partitura, pintar un cuadro o hacer una película, tenemos también la posibilidad de 'no ser' y de acabar con todo trasladando nuestras maledicencias al personaje que se nos antoje. Incluso, podemos morir y resucitar, sólo con el poder de las letras y el papel. Esas cosas inútiles, diría Vila-Matas, son menos reales que las útiles y por lo tanto son más bellas.
Por eso, parafraseando al escritor, la literatura abreviada acaba por caracterizarse no por tener algo que proponer, sino un arte de vivir.
De hecho, en otro libro de Vila-Matas titulado 'Suicidios Ejemplares', muestra cómo el deseo de quitarse la vida puede también convertirse en una manera cómica de poner los pies sobre la tierra. En uno de los capítulos de ese libro, el barcelonés concluye con las siguientes palabras, en las que se refiere al intento de suicidio de Rosa Schwarzer, una vigilante de museos: " y se encuentra bien, como si hubiera comprendido que después de todo no sabemos si en realidad las cosas son mejor así: escasas a propósito reales, vulgares, mediocres, profundamente estúpidas.".
La constante inquietud por mostrar la trascendencia que tienen las ciudades en la conformación del espíritu, es otro punto para resaltar en Vila-Matas.
De ahí que sea tan importante la determinación viajera de los shandys y lo categórico que resultan ciudades como París o Praga en el alma de cualquier mortal.
Concluyo diciendo que 'Historia abreviada de la literatura portátil' es un paso obligado.
Debo aceptar que lo críptico de su prosa no resulta fácil a las neuronas, pero a veces pienso que no entender, puede ser también una manera respetable de morir sin tener que quitarse la vida.
Fonte: El Informador
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