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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Bibliografia do dia 01 de setembro - A visita cruel do tempo, Jennifer Egan

Durante a leitura crítica da obra A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan, o Prof. Dr. Paulo Kralik Angelini citou uma série de livros utilizados para compreensão e análise da obra. Para os interessados, segue a bibliografia:




1. A retórica da ficção, Wayne Booth
2. O capítulo: 'Mundo do texto e mundo do leitor", da obra Tempo e Narrativa (v. 3), Paul Ricoeur
3. Escrever a leitura, capítulo de O rumor da língua, R Barthes
4. Amor líquido, Zygmunt Bauman
5. O último leitor, Ricardo Piglia
6. Seis passeios nos bosques da ficção, Umberto Eco
7. Desempacotando minha biblioteca. Um discurso sobre o colecionador. Capítulo de Obras Escolhidas, volume 2. Walter Benjamin

domingo, 26 de agosto de 2012

Aperitivo para o dia 1 de setembro


Colaboração de Paulo Kralik Angelini

Obra que conjuga sucesso de vendas e de crítica, obtendo prêmios importantes como o Pulitzer de 2011 e o National Book Critics Circle Award, além de Los Angeles Times Book Prize, winner (Fiction, 2010), PEN/Faulkner Award, finalist (2011), Publishers Weekly’s Top 10 Best Books (2010), New York Times Best Books of the Year (2010), Time Magazine's Best Books of the Year (2010), entre muitos outros, A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan, desafia certo conservadorismo acadêmico por apresentar-se com uma embalagem pop que muitos associam à literatura comercial descartável. Primeiro preconceito. Aliás, a frequência de uma obra na lista dos mais vendidos é inversamente proporcional à credibilidade que essa obra possui frente a alguns leitores mais exigentes. Segundo preconceito.

A visita cruel do tempo traz uma série de narrativas que se entrelaçam. De saída, percebemos a habilidade da autora na composição de uma rede de vozes narrativas que chamam o leitor para dentro da obra. Paul Ricoeur afirma, no capítulo Mundo do texto e mundo do leitor, no terceiro volume da obra Tempo e Narrativa: “somente pela mediação da leitura é que a obra literária obtém a significação completa”. Egan propõe uma tal engenhosidade narrativa que o leitor assume papel de destaque. É a literatura como jogo; a proposta de uma leitura que saia da zona de conforto e traga, a todo instante, enigmas a serem decifrados: Quem narra este capítulo? Em que tempo encontramo-nos? Quem são esses personagens? O leitor, fisgado pela narrativa, como diz Barthes, levanta a cabeça e debate os rumos a serem seguidos por Jennifer Egan.
Portanto, uma leitura atenta de A visita cruel do tempo requer dois pontos-chave para a discussão: a inventividade narrativa encaminha-se para um estudo de uma linhagem de narradores propensos a uma desestabilização no leitor, trajetória que já se observa desde Cervantes e Laurence Sterne; e a utilização do tempo na história – o tempo que emoldura a narrativa. O tempo que também é personagem. Se há dúvida em afirmar quem são os protagonistas da obra, certamente podemos perceber quem é o grande antagonista: o próprio tempo.

Desta forma, A visita cruel do tempo, traz o sabor da liquidez e da fragilidade nas relações atestadas por Bauman na contemporaneidade, e já assegura um posto de destaque de Egan entre os grandes nomes da literatura do século XXI.


Prof. Dr. Paulo Kralik Angelini estará presente no painel sobre A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan, dia 1 de setembro.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Caixa preta - 12 dias para Jennifer Egan e Paulo Kralik Angelini

"As pessoas raramente são como você espera que elas sejam, mesmo quando você já as viu por foto"


Essa é a primeira frase de Caixa preta, conto de Jennifer Egan, que desde a noite de 20 de agosto é reproduzido através do twitter da editora Intrínseca (@intrinseca). 
Veiculado pela primeira vez no perfil da revista norte-americana New Yorker, de 24 de maio a 2 de junho, o conto é resultado da provocação causada na autora pelas possibilidades do uso do Twitter.
A versão brasileira, que irá ao ar diariamente das 22h as 23h até o dia 31 de agosto, foi traduzido por Juliana Romeiro. Encerrada a participação no micro-blog, Caixa-preta será vendido em e-book, e, assim como os livros anteriores da autora, conta com a bela capa de Rafael Coutinho.

Aqui no blog, a Prof. Dra. Léa Masina propôs uma série de questões para discutir a literatura contemporânea observando os conceitos da Pós-Modernidade. Sem medo, pode-se dizer que ao utilizar o Twitter para revelar, pouco a pouco, seu texto literário, Egan não só desafiou os limites de gênero, como se apropriou de uma ferramenta popular para fazer o erudito. Essa não é a primeira vez em que topamos com elementos do pós-moderno na obra da autora. 

No aplaudido A visita cruel do tempo, tema e linguagem formam uma trama que pode ser, por um lado, decomposta em pequenos trechos, sem que nenhum deles perca o sentido. Ao mesmo tempo, a composição forma um imenso romance sobre o que é mais cruel e inevitável na vida: o Tempo (discussão recorrente da contemporaneidade). 

No dia 01 de setembro, o Prof. Dr. Paulo Kralik Angelini apresentará, no curso Leituras do Século XXI, o painel sobre Jennifer Egan e seu romance A visita cruel do tempo (Pulitzer de Ficção, National Book Critics Circle Award e do Los Angeles Times Book Prize em 2011). Será uma oportunidade para discutirmos esses e outros tópicos tão inquietantes dessa obra que, como veremos aqui no blog, não se limita as páginas de um livro.