No próximo sábado, dia 11 de outubro, encerraremos mais uma etapa dos Seminários Leituras do Século XXI. Agradecemos a participação e colaboração de todos os colegas e parceiros de jornada durante esses três anos.
Este último encontro será uma grande celebração da literatura e do fazer literário. Debateremos o romance Solidão Continental, de João Gilberto Noll, com mediação da escritora Daniela Langer.
Na mesa, contaremos com a presença do autor João Gilberto Noll e com os organizadores dos Seminários, os Profs. Drs. Léa Masina e Ricardo Barberena.
Será uma manhã de debate, leituras e a oportunidade de conversar com um dos grandes autores da literatura brasileira contemporânea.
SEMINÁRIOS 2014 LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA: AUTORES QUE ESCREVEM O SÉCULO
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014
terça-feira, 25 de março de 2014
Propostas para 2014
Em
2012 e 2013, com o apoio de diversos intelectuais e amigos, desenvolvemos o
curso “Leituras do século XXI”, que consistiu na seleção de obras que seriam
discutidas uma vez por mês, após palestra de professores de literatura altamente
capacitados.
Nesses
dois anos, a proposta inicial fui cumprida: leram-se livros de diferentes
procedências, partindo do pressuposto de que uma das principais características
do século em que vivemos é, precisamente, a expansão do universo cultural. Até
então, quase tudo o que líamos era mediado pelo eixo eurocêntrico. Desse modo,
autores e livros de outras culturas eram selecionados e traduzidos quase sempre
para o francês e o inglês e, depois, exportados para outros países do mundo.
Enfim, a Europa e depois os Estados Unidos ditavam o que o mundo ocidental
deveria ler. Esse quadro transforma-se aos poucos a partir do final dos anos
XX.
Conforme
foi visto no decorrer das palestras, o século XXI está alterando os rumos e o
próprio conceito das artes. Noções recentes, de diversos teóricos, sociólogos e
filósofos - como modernidade líquida,
de Zygmund Bauman, e Contemporâneo,
de Giorgio Agamben, além das avaliações histórico-sociológicas de Eric Hobsbawn
- serviram de pressupostos para auxiliar no entendimento dessas mudanças.
Agora,
em 2014, atendendo a pedidos, organizamos um curso voltado especificamente para
a literatura brasileira no século XXI. Contando com a colaboração do Professor
Doutor Ricardo Barberena, organizei um novo programa. Antes disso, porém, no
mês de março, encerramos a primeira etapa do curso, convidando um tradutor para
abordar uma obra traduzida diretamente do texto original, norueguês. Com a
palestra de Guilherme Braga, sobre Gaute Heivoll, autor do romance Antes que eu queime, tornou-se claro
para todos que a importação cultural é muito mais do que uma transposição de
discursos.
É
preciso acrescentar que as reflexões e os estudos que embasaram o curso
“Leituras do século XXI”, do qual faz parte a proposta de 2014, foram
fundamentais para a organização do livro Por
que ler os contemporâneos? autores que escrevem o século XXI. Esse livro,
espécie de dicionário de autores, foi organizado
por mim e pelos escritores Daniela Langer, Rafael Bán Jacobsen e Rodrigo Rosp. “Uma
hacatombe na cena provinciana” – segundo o escritor Rafael Jacobsen – o livro consiste
num roteiro que apresenta cem autores através de verbetes, onde suas obras são
destacadas e seguidas por uma pequena resenha. Para isso, contamos com o
trabalho de cem intelectuais diferenciados, que se dispuseram a colaborar nessa
elaboração.
Nada
impede que em 2015 retornemos à proposta inicial. Mas, neste momento, optamos
por olhar para dentro, observar o que vem sendo produzido no país a partir da
primeira década do século. Dez anos é muito pouco para fixar tendências, mas
nossas suposições vão sendo confirmadas. E, como os interessados poderão
conferir, prolifera a diversidade de temáticas e de formas.
Com
isso, pretendemos contribuir para divulgar alguns dos melhores momentos da
literatura contemporânea, promovendo trocas entre escritores e leitores e
apreendendo novas formas de imersão no literário.
Profa. Dra. Léa Masina
sábado, 27 de abril de 2013
PALESTRA DE ABERTURA 2013: PROF. DR. RICARDO BARBERENA
QUESTÕES DA PÓS-MODERNIDADE: A NOÇÃO DE
CONTEMPORÂNEO
Na manhã de sábado, 6 de abril, aconteceu a palestra de abertura dos Seminários Leitura do séc. XXI 2013.
Ouvimos o Prof. Dr. Ricardo Barberena, que falou sobre a noção de contemporâneo e apresentou a leitura da obra Ó, de Nuno Ramos.
Duas questões serviram de introdução para a fala de Barberena.
Duas questões serviram de introdução para a fala de Barberena.
Por que falar de autores do
século XXI?
O livro “Ó”, do artista plástico
e escritor NUNO RAMOS, foge às tipologias habituais que se relacionam à forma
(romance, conto, novela, etc) e mesmo às classificações genéricas de narrativas
ou líricas. Foi objeto de premiações nacionais, dentre as quais o prêmio
PORTUGAL TELECOM (2009).
O QUE É SER CONTEMPORÂNEO? Ser contemporâneo de quem?
Segundo Agamben trata-se de uma
atitude crítica, não mais de uma relação entre sincronia e diacronia. O
contemporâneo é o intempestivo, uma “vértebra quebrada no dorso da história“,
conforme Nuno Ramos. Essa noção advém das colocações de Walter Benjamin e antes
dele, de Nietsche. Não se trata de uma questão ontológica ou apriorística, mas
de uma atitude crítica de discronia. Essa atitude impede o tempo de ser composto.
Pode-se falar também de uma visão
no escuro, na ausência da luz, quando o que se obtém é um produto da
retina.
Os contemporâneos são
interpelados pelo escuro de seu tempo. Recebem no rosto o facho das trevas que
provém do seu tempo. Pode-se falar numa “visão crítica” que permite olhar as
trevas. Os contemporâneos são raros: trata-se de uma questão de coragem para
desalojar o “status quo” vigente. Isso
implica ir contra a consensualidade e as ideologias.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Bibliografia do dia 4 de agosto - Leituras do século XXI : introdução teórica
Durante sua argumentação teórica, no último sábado, o Prof. Dr. Ricardo Barberena citou e leu trechos de vários livros. Para aqueles que se interessaram pelas obras e autores citados pelo Professor, aqui vai a lista!
Outros autores citados:
- A espécie fabuladora; Nancy Houston (Ed. L&PM)
- A história do pranto; Alan Pauls (Cosac Naify)
- A ideologia da estética; Terry Eagleton (Ed. Jorge Zahar)
- As palavras e as coisas; Michel Foucault (Ed. Martins Fontes)
- Bartleby, o escriturário; Herman Melville (L&PM Pocket)
- Carta a D. – História de um amor; Andre Gorz (Cosac Naify)
- Entre rinhas de cachorros e porcos abalados; Ana Paula Maia (Ed. Record)
- Extremamente alto e incrivelmente perto; Jonathan Safran Foer (Ed. Rocco)
- Fora do lugar; Edward W. Said (Companhia das Letras)
- Introdução ao método de Leonardo da Vinci; Paul Valéry (Editora 34)
- La disparition, Georges Perec
- O Africano; Le Clézio (Cosac Naify)
- O filho eterno; Cristovão Tezza (Ed. Record)
- O voo da madrugada; Sérgio Sant´anna (Companhia das Letras)
- Patrimônio; Philip Roth (Companhia das Letras)
- Poética do Pós-Modernismo; Linda Hutcheon (Imago)
- Que deu para fazer em matéria de história de amor; Elvira Vigna (Companhia das Letras)
- Que é literatura; Jean Paul Sartre (Ed. Ática)
- Passaporte; Fernando Bonassi (Cosac Naify)
- Ribamar; José Castello (Ed. Bertrand Brasil)
- Um ponto no holograma – A história de Vidal, meu pai; Edgard Morin (Ed. Girafa)
- Uma teoria da adaptação; Linda Hutcheon (Editora da UFSC)
- Zazie no metrô; Raymond Queneau (Cosac Naify)
Outros autores citados:
- Altair Martins
- André Sant´Anna
- Dalton Trevisan
- Gonçalo M. Tavares
- Marçal Aquino
- Mia Couto
- Patrícia Melo
- Paulo Lins
- Pedro Salgueiro
- Tércia Montenegro
- Ondjaki
domingo, 5 de agosto de 2012
Primeiro dia do curso Leituras do séc.XXI
No último sábado, iniciou o curso de Leituras do Séc XXI.
Com a participação do Prof. Dr. Ricardo
Barberena e mediação da Profa. Dra. Léa Masina, a mesa teve como objetivo,
através de uma abordagem teórica, apresentar um painel da Literatura
Contemporânea.
Barberena partiu do ponto
de que a Literatura Contemporânea é avessa à característica do sistema de
semelhanças, das chamadas "caixas de aço". Sendo livre, não pretende
estabelecer paradigmas históricos, fixos.
Recuperando conceitos de
Benjamim, como polifonia estética e multicentrismo, propôs um olhar da
literatura pelo viés da Epistemologia Constelar e da Epistemologia Rizomática.
A primeira, a
constelação como negação do centro
estético, pretende mudar o regime do pensamento e, como consequência,
desestabilizar o canône. Já no sistema rizomático, qualquer pensamento pode ser
tanto início quanto ser fim. O olhar teórico é sempre em paralaxe - os
conceitos de cêntrico e periférico são abalados: não importam mais as raízes,
logo, a relação de débito de uma obra à outra desaparece.
Após a exposição dos
conceitos teóricos, Barberena propôs dez elementos possíveis para se elucidar a
literatura contemporânea. Pontos que, apesar de importantes, lembrou o
professor, não são epistêmicos. São eles: fragmentação, hibridez,
intertextualidade, auto-ficção, desgramatização, nostalgia e literatura e
liberdade. Para cada item, Barberena indicou exemplos de autores que utilizam
de um ou mais elementos na escritura de suas obras.
Também foram discutidos
os cinco eixos, propostos por Ana Beatriz Rezende, para a Literatura Brasileira
Contemporânea: violência e brutalidade no espaço público; relações primárias,
tanto na família quanto no trabalho e indivíduos decompostos; narrativas
fantásticas; relatos rurais, seguindo tradições regionalistas e a metaficção.
Barberena alertou que
tais possibilidades não devem ser tratadas como um vale-tudo rizomático. São
mais importantes como licenças poéticas no pensar e trabalhar a literatura.
Afinal, para ser capaz de discutir o texto contemporâneo, o sujeito precisa ter
passado pelos textos clássicos.
A mesa foi encerrada com a participação do público, instigado pelo discurso de Ricardo Barberena.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Aquecimento: entrevista com o Prof. Dr. Ricardo Barberena
Palestra: "Literatura e pós-modernidade: a filosofia subjacente"Prof. Ricardo Barberena
Fonte: (FALE/PUCRS)
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